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segunda-feira, 21 de julho de 2014

1968 - Dalva de Oliveira - É tempo de amor



Dalva de Oliveira é uma das grandes estilistas de nosso tempo. Com seus falsetes e estridências, ela vem há muitos anos compondo seu mundo de espantos e agressões. É dessas intérpretes que não se incomodam de nos arranhar, de nos dizer as vulgaridades e os desacertos do amor; e que costuma ferir-se no chão mais crespo da canção, oferecendo-nos em desafio a paisagem desabusada e desalentadora de todos os sentimentos componentes da paixão: a culpa, o fracasso, a frustração, o remorso. Seu temperamento, que a muitos desassossega, é talvez sua força mais ampla: ela se furta à lágrima e ao desprezo para se comunicar com seu público. Nisso tudo vai uma grandeza enorme, que não é muito aceita por certos puristas e por aquela faixa de gente que se interessa tão-somente pela música descompromissada, que acha cansativo isso de reconhecer como dói a vida, que tantos espinhos vive nos cravando. Mas é um fatalismo irrefutável: mesmo esse público terá um dia seu encontro com Dalva. Por tudo isso, ela não é uma intérprete que pertença a uma determinada geração. Ela faz parte da própria história e cultura do nosso país, ainda que se reconhecendo a diversidade de planos de vôos. Mas Dalva permaneceu sempre fiel aos seus sentimentos de grande intérprete, aos roxos da violenta paixão que desencadeia em cada minuto de sua vida, morrendo a cada instante em que, feito ácido, se queima perante um mundo que - convenhamos - só lhe tem sido azedo.

Ela canta as coisas mais simples do cotidiano. Igual a Piaf, ela se lixa e se crispa e se carboniza nos espinhos da canção, ela comparece de rosto esbofeteado perante as pequenas ou grandes comoções que, bem ou mal, fazem parte do nosso desintegrante mundo.

Hermínio Bello de Carvalho

01 - Andorinha
02 - Pela Décima Vez
03 - Tudo É Ilusão
04 - Tudo Foi Surpresa
05 - Tem Mais Samba
06 - Marcha da Quarta-Feira de Cinzas
07 - Pede Passagem
08 - Aves Daninhas
09 - Bom Dia
10 - Folhas No Ar
11 - João Ninguém
12 - Seria Melhor

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terça-feira, 11 de março de 2014

1974 - Dalva de Oliveira - Grossas Nuvens de Amor



As matrizes originais, gravadas em 1 ou 2 canais, foram recopiadas
em fitas de 8. Pelo processo de play-back, foram inicialmente
reforçadas as partes de percussão, pelo baterista Wilson das Neves
e os ritmistas Marçal, Elizeu e Dazinho e as de baixo, pelo baixista
Luisão. Posteriormente, o maestro Gaya acrescentou cordas em algumas
faixas, e as mesmas foram complementadas pelos músicos: Paulo Moura
(Saxofone), Chiquinho (Cordovox), Neco e Hélio (Violões)
A música "Pela décima vez", introdutória do disco, foi gravada na casa
de Hermínio Bello de Carvalho, tendo este a acompanhá-la ao violão.

01. Pela Décima Vez (Noel Rosa)

02. Que Será (Marino Pinto / Mário Rossi)
Tu Me Acostumastes (Tu Me Acostumbraste) (F. Domingues / Vrs. Carlos Brandão)

03. Teus Ciúmes (Lucy Martins / Aldo Cabral)

04. Há Um Deus (Lupicínio Rodrigues)

05. Segredo (Herivelto Martins / Marino Pinto)
Aves Daninhas (Lupicínio Rodrigues)

06. Dois Corações (Herivelto Martins / Waldemar Gomes)
E a Vida Continua (Evaldo Gouveia / Jair Amorim)

07. Bandeira Branca (Max Nunes / Laércio Alves)
Mãe-maria (Gustavo Mesquita / David Nasser)

08. Coqueiro Velho (Fernandinho / J. Marcílio)

09. Tudo Acabado (J. Piedade / Osvaldo Martins)
Não Tem Mais Fim (Hervé Cordovil / René Cordovil)

10. Saia do Meu Caminho (Custódio Mesquita / Evaldo Ruy)

11. Tudo Foi Surpresa (Peterpan / Valzinho)

12. Folhas no Ar (Élton Medeiros / Hermínio Bello de Carvalho)

13. Onde Estás Coração (Donde Estás Corazon) (L. M. Serrano / A. P. Berto / Vrs. Ubirajara Silva)

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"Dela o amor fez o que bem entendeu: judiou no que pôde, maltratou como não devia. Mas ela tudo aceitou, e as marcas estão visíveis por aí, nas canções que viveu." - Hermínio Bello de Carvalho